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PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO: HOSPITAL ESTADUAL DE SUMARÉ PERDEU 18 MÉDICOS EM SETEMBRO E GESTANTES RELATAM CONSULTAS CANCELADAS

AUGE01
01 de Outubro de 2026 às 00:09
5 min de leitura
PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO: HOSPITAL ESTADUAL DE SUMARÉ PERDEU 18 MÉDICOS EM SETEMBRO E GESTANTES RELATAM CONSULTAS CANCELADAS

Pacientes afirmam ter passado semanas sem acompanhamento mesmo em gestações que exigem atenção especial; HES confirma desligamento de 18 profissionais da ginecologia e obstetrícia, diz que vagas foram repostas e que atualmente conta com 45 médicos

Os relatos de dificuldades enfrentadas por gestantes de alto risco no Hospital Estadual de Sumaré (HES) ganharam um dado importante: 18 médicos da ginecologia e obstetrícia deixaram a equipe durante o mês de setembro.

A informação foi confirmada pelo próprio hospital após pacientes relatarem cancelamentos sucessivos de consultas e períodos prolongados sem acompanhamento pré-natal. Segundo o HES, as vagas foram repostas ao longo do mês e o serviço conta atualmente com 45 médicos.

O problema atinge justamente mulheres encaminhadas para acompanhamento especializado por apresentarem condições que demandam maior vigilância durante a gravidez.

GRÁVIDA DE GÊMEOS FICOU SETEMBRO SEM CONSULTA

Uma das pacientes ouvidas pela EPTV está grávida de gêmeos e apresenta diabetes gestacional.

Segundo seu relato, a recomendação médica era de acompanhamento a cada duas semanas. Entretanto, três consultas teriam sido canceladas, deixando a gestante durante todo o mês de setembro sem atendimento médico no pré-natal de alto risco.

O relato se soma a outras reclamações envolvendo dificuldades de agendamento e remarcações no serviço durante o período.

HOSPITAL CONFIRMA SAÍDA DE 18 MÉDICOS

Em nota, o Hospital Estadual de Sumaré confirmou que houve um desfalque expressivo na equipe em setembro em razão do desligamento de 18 profissionais.

A unidade afirmou, entretanto, que as vagas foram sendo repostas durante o próprio mês.

Atualmente, segundo o hospital, a ginecologia e obstetrícia conta com 45 médicos.

O HES também informou que está reforçando a equipe para assegurar o agendamento das consultas de pré-natal e que as gestantes recebem prioridade.

A confirmação da saída simultânea de tantos profissionais, porém, traz uma questão objetiva para a apuração: qual foi o impacto concreto desses 18 desligamentos sobre a capacidade de atendimento durante setembro?

NÃO É A PRIMEIRA RECLAMAÇÃO SOBRE O PRÉ-NATAL

O problema ganha ainda mais relevância porque o Portal Auge1 já vinha acompanhando reclamações envolvendo o pré-natal de alto risco do Hospital Estadual de Sumaré.

Recentemente, o Auge1 publicou o caso de uma gestante de 40 anos, com 35 semanas de gravidez, que relatou estar há mais de um mês sem consulta depois de sucessivos cancelamentos.

O caso dessa paciente possui ainda uma circunstância excepcional: ela afirma que a gravidez continuou após ter sido submetida a uma curetagem uterina em fevereiro, realizada depois de exames indicarem uma gestação não evolutiva.

Posteriormente, uma ultrassonografia identificou atividade cardíaca embrionária e uma gestação em evolução.

O hospital informou naquele caso que mantém sindicância para apurar a conduta da equipe envolvida no atendimento e afirmou que a paciente permanece em acompanhamento.

Agora, os novos relatos mostram que as dificuldades de setembro não ficaram restritas a uma única gestante.

HES DIVULGA NÚMEROS DO ATENDIMENTO

O Hospital Estadual de Sumaré apresentou também os números da ginecologia e obstetrícia entre janeiro e agosto de 2026.

Nesse período, segundo a instituição, foram realizadas 1.821 consultas ambulatoriais, das quais 1.136 foram consultas de pré-natal.

A unidade contabilizou ainda 3.621 atendimentos de urgência, 1.430 partos e 668 cirurgias.

Os números demonstram o volume expressivo de atendimentos realizados pelo serviço, mas não respondem, isoladamente, à questão levantada pelas pacientes: quantas consultas de pré-natal de alto risco foram canceladas ou adiadas especificamente em setembro?

18 MÉDICOS SAÍRAM: O QUE ACONTECEU?

A confirmação do hospital abre uma série de questões relevantes.

Por que 18 profissionais da mesma especialidade deixaram a equipe em um único mês? Os desligamentos foram voluntários, contratuais ou decorreram de alguma mudança administrativa? Quantos ginecologistas e obstetras havia antes das saídas? Em quais datas ocorreram as reposições? Houve períodos em que escalas ficaram incompletas?

E, principalmente: quantas gestantes de alto risco tiveram consultas canceladas, quantas ficaram sem atendimento dentro do intervalo recomendado e quais medidas foram adotadas para identificar aquelas que precisavam de acompanhamento mais urgente?

Essas informações são fundamentais para dimensionar se o problema relatado pelas pacientes foi pontual ou se houve impacto mais amplo na assistência durante setembro.

REPOSIÇÃO DOS MÉDICOS PRECISA REFLETIR NA AGENDA

O hospital afirma que as vagas foram repostas e que atualmente possui 45 médicos na especialidade. A partir disso, outro indicador passa a ser fundamental: a normalização efetiva das consultas.

Mais do que conhecer o número de profissionais no quadro, é necessário saber se as gestantes que tiveram consultas canceladas já foram reagendadas e se o intervalo entre os atendimentos voltou ao recomendado pelas equipes médicas.

Em gestações classificadas como de alto risco, a periodicidade do acompanhamento depende da situação clínica de cada paciente e deve ser determinada pela equipe responsável.

O Portal Auge1 mantém espaço aberto ao Hospital Estadual de Sumaré para esclarecer as razões dos 18 desligamentos, apresentar os números de cancelamentos ocorridos em setembro e informar se todas as pacientes afetadas já tiveram seus atendimentos regularizados.

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Fonte: Hospital Estadual de Sumaré e relatos de pacientes à EPTV.

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